Cultura

CINEMA



Stanley Tucci é confirmado em "Transformers 4"

Diretor Michael Bay anunciou a participação do ator no elenco do novo filme de sua franquia


NOVA YORK - Stanley Tucci está confirmado para o elenco de "Transformers 4". Durante o evento CinemaCon, em Las Vegas, o diretor Michael Bay anunciou a participação do ator no elenco do novo filme de sua franquia. Ele trabalhará ao lado de Mark Wahlberg, Jack Reynor e Nicola Peltz, além de um ator misterioso que o diretor promete revelar em breve.
O tema do filme é mantido em segredo, mas Bay disse que será "uma caçada do inferno". A produção tem estreia marcada para 27 de junho de 2014.
O próximo trabalho de Tucci a chegar nas telas é "Jogos Vorazes: Em Chamas", no qual voltará a fazer o papel de Caesar Flickerman. O novo filme do diretor, "Pain & Gain", tem estreia marcada para o dia 26. (Planet Pop)


Gastronomia


Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém


Kengi, para os habitantes da Costa de Malabar (Índia), era apenas um caldo temperado e quente, servido com arroz. “Uma água de expressão de arroz com pimenta e cominho a que chamam kengi”, segundo Garcia de Orta (1500-1568), um médico português que escolheu viver em Goa, capital do grande império lusitano no Oriente (e que permaneceu, como colônia de Portugal, até 1961). Manoel Godinho, um século mais tarde, também se referiu àquela sopa como “um caldo de arroz”. Depois virou kanji, segundo o Novo Dicionário Aurélio. Donde canja. Em Portugal, acabou recebendo novos ingredientes, especialmente galinha ou frango. Desembarcou no Brasil com os primeiros colonos.  Só que índios e escravos não lhe deram, então, grande importância. Aqui passou também a ser feita com jacu (ou jacutinga) e com macuco (do tupi ma’kuku) - uma ave de grande porte, parecida com a perdiz, que vivia pelas florestas brasileiras. No início reservada apenas para doentes, logo essa canja passou a freqüentar jantares elegantes. Era o prato preferido de dom Pedro II, muitas vezes resumindo-se nele suas refeições. E a provava em todo canto. Até no teatro, “entre o segundo e o terceiro ato - que só começava, por isso mesmo, ao ser dado o aviso de que sua majestade terminara o ceiazinha”, segundo R. Magalhães Junior (1907-1981). O que levou o teatrólogo Artur Azevedo (1855-1908), em 1888, a dizer: “Sem banana macaco se arranja, mas não passa monarca sem canja”. A receita é hoje também preparada, pelos portugueses, com carnes que vão variando - bacalhau (na Estremadura), pescada (no Alentejo), moluscos (no Algarve). Enquanto, por aqui, continuamos usando apenas galinha ou frango, temperados com cheiro-verde, louro alho, cebola, pimenta-do-reino, tomate, cenoura, batata. No que fizemos bem.

O gosto por sopas vem da mais remota antiguidade. Desde quando o homem descobriu que a carne, cozida em água, não ficava esturricada. Dando-se também conta de que aquele caldo, no qual havia sido preparado o alimento, guardava sua cor e seu sabor. Durante muito tempo, foi o principal alimento de populações inteiras. A Bíblia nos conta que quando a fome “devastava a terra”, Eliseu disse a seu servo: “Toma uma panela grande e prepara uma sopa para os filhos do profeta” (II Reis 4, 38). Na Grécia, tinham grande prestígio e variadas receitas: em Atenas, a de lentilha; em Esparta, o famoso “caldo negro” (preparado com sangue de animais misturado em ervas aromáticas, sal e vinagre) e uma “sopa de rosas” (feita com pétalas perfumadas, azeite, gemas de ovo, miolo de pássaros, pimenta e vinho). Em Roma, Nero tomava caldo de alho-poró para proteção de suas maviosas (segundo ele) cordas vocais. A partir da Idade Média, difundiu-se, na Europa, o costume de preparar caldos simples, de urtiga e ervas daninhas. Além de outros, mais elaborados, feitos com leite de amêndoas, cebola e fava, temperados com canela, gengibre, mostarda e vinho. 

Inclusive um de cavalo cansado preparado (sem nenhum cavalo) com vinho tinto, açúcar, canela e pão torrado, usado como revigorante por lavradores de Portugal. Leonardo da Vinci (1452-1519), em seu Apontamento de Cozinha, dá receita de uma sopa de cavalo que tem, como ingrediente, o próprio cavalo em carne e osso: “A melhor maneira de ingerir um cavalo é esta: deve-se prepará-lo como a sopa de vaca, mas no lugar de três cenouras, três cebolas”. Sendo boa porque, segundo ele, “um cavalo dá de comer a duzentas pessoas”.  Depois chegaram receitas que o colonizador trouxe de muitos outros lugares. O nome veio só mais recentemente, da Alemanha, com o supper - ato de ensopar o pão. Por serem, à época, esses caldos, servidos sobre fatias de pão. O nome, a partir de então, foi consensualmente adotado: zuppa (inzuppano, ensopando o pão) na Itália; soupe (ensopar o pão) ou potage (pot, pote), na França; soup na Inglaterra; além, claro, de sopa em Portugal e Espanha.

No Renascimento, o Sr. Boulanger (em francês, padeiro) ganhava seu dinheiro como vendedor de caldos (marchand de bouillon). Até que, certo dia, inventou uma sopa fortificante, feita de carne de boi, carneiro e legumes que, por ser restauradora, denominou restaurant. A placa em latim, afixada, em seu estabelecimento (Rue des Poulies, em Paris), dizia assim: “Vinde a mim, vocês que têm o estômago em penúria, e eu os restaurarei”. Daí veio a própria origem da palavra restaurante. Depois, tudo se sofisticou. Em 1680, Domingos Rodrigues, indicou 12 receitas de sopa: à italiana, à francesa, dourada, dourada de nata, de nata, outra sopa de nata, de queijo e lombo de porco, de queijo e caldo de vaca, de qualquer gênero de assado, tostada, de pêros (variedade de maçã doce, com forma que lembra a pera) camoenses e de amêndoas - que, segundo ele, “se faz deitando-se, em meia canada de leite, oito gemas de ovos, meio arrátel de açúcar, quatro onças de amêndoas muito bem pisadas e uma quarta de manteiga: tudo isto junto, depois de muito bem batido, ponha-se em um tacho a cozer em lume brando, e como for engrossando lance-se em um prato, ou frigideira, ponha-se a corar na torteira, ou no forno, e corado leve-se à mesa”.

Cem anos depois, Lucas Rigaud, um francês que chegou a Portugal para servir à D. Maria I, a Rainha Louca, acabou afrancesando a culinária portuguesa. E relacionou, em seu livro, 63 caldos e sopas. Com destaque para a sopa branca de arroz, uma variante da canja indiana: “Ponha-se a cozer meio arrátel de arroz num pouco de caldo de raízes. Deixe ferver pouco a pouco, temperado com um bocado de manteiga; em estando cozido, desfaçam em caldo sete ou oito gemas de ovos, e postas ao lume, mexendo sempre com uma colher até estarem ligadas, e sem que ferva, e de bom gosto, sirva-se misturado com o arroz, e tudo bem quente”. Em seguida, Marie-Antoine (Antonin) Carême (1784-1833) criou mais de 500 delas. E o gastrônomo Grimod de La Reynière (1758-1837) ensinou que todo jantar deveria começar com sopas (no mínimo duas), porque “a sopa está para um jantar assim como o portal está para um palácio”.  Achando pouco ainda se preocupou em ensinar boas maneiras: “Para tomar a sopa, qualquer que seja, deve-se usar exclusivamente a colher” (em vez de beber diretamente na tigela); e, “uma vez tomada a sopa, deixa-se a colher sobre o prato, evitando pousá-la sobre a toalha”. Sem esquecer que, em 1857, Julius Liebig, um químico alemão, conseguiu produzir extrato de carne concentrado que acabou dando origem ao caldo sintético. Perdeu-se em romantismo, mas ganhou-se em praticidade. Em 1882, na Suíça, Julius Maggi passou a fabricar um caldo de galinha concentrado. Em 1889, Carl Heinrich Knorr fez sua primeira sopa pronta desidratada - a erbswurst, uma sopa de ervilha empacotada em plástico, na forma de um salame. Em 1912, nasceu o primeiro caldo de carne em cubos. Dois nomes, Maggi e Knorr, que hoje estão em pacotes de sopas instantâneas de todos os supermercados do mundo.

Por fim, só lembrar que sopa não frequenta só livros de culinária. Karl Marx, por exemplo, em “O Capital”, falou nelas: “Quando uma sopeira contém uma certa quantidade de sopa destinada a um determinado número de pessoas, um aumento no tamanho das colheres não produziria nenhum aumento da quantidade de sopa”. Seja como for, entre tantas, nenhuma tem mais prestígio que a canja - porque aquece, conforta e sobretudo é muito saborosa.

Canja
Ingredientes: 1 galinha gorda (de preferência de capoeira), 1 dente de alho, 1 cebola picada, 2 litros de água, 2 folhas de louro, 1 xícara (rasa) de arroz, 1 cenoura picada (opcional), coentro, cebolinho, sal, pimenta-do-reino e azeite

Preparo: Lave e limpe a galinha. Corte em pedaços. Passe limão e água fervendo. Tempere com sal e pimenta a gosto. Aqueça azeite em uma panela e refogue ligeiramente alho, cebola, coentro e cebolinho. Junte galinha, água e folhas de louro.  Deixe no fogo até que a galinha esteja bem macia. Retire os pedaços da galinha e coe o caldo. Leve novamente o caldo coado ao fogo, adicionando arroz (e cenoura cortada em cubos, se quiser). Quando o arroz estiver cozido, junte a galinha desfiada em pedaços grandes. Sirva quente.

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